Desde que me entendo por gente, convivo com padrões de beleza convencionados socialmente e tradicionalmente legitimados. Ora um modelo europeu, com traços longilíneos, olhos claros, cabelos lisos, traços finos etc. Ora outro modelo mais próximo dos brasileiros, mais recentemente aceito, com curvas mais acentuadas, mas ainda assim, com pele perfeita e músculos definidos, cabelos pouco mais volumosos, mas ainda assim, “maleáveis”.
É indispensável ressaltar que, independente de qual modelo se esteja tratando, este ou aquele nunca será real expressão da realidade, justamente por serem modelos ideias, padrões que não ocorrem espontaneamente simplesmente por que as pessoas não são iguais.
E não precisam ser.
De poucos anos pra cá, coisa recente, a internet foi bombardeada de pessoas incentivando o uso do cabelo natural, e foram tornando-se cada vez mais frequentes termos como “transição” e “big chop”. Após um tempo de resistência, a mídia televisiva e até a indústria da moda acabaram acatando essa “tendência” e, claro, usando aos seus interesses.
Nas redes sociais, canais no YouTube, blogs e sites, surgiram diversos espaços para o incentivo e dicas para o cabelo natural. Infelizmente, esse movimento ainda não foi o suficiente para reduzir significativamente a discriminação em relação à beleza negra no Brasil. Não é difícil encontrar pessoas que deixam de alisar o cabelo, mas passam a usar outros produtos químicos que também modificam a estrutura dos fios a fim de “soltar os cachos” (frase muito dita em diversos salões que dizem trabalhar com a beleza negra); Outras fazem o big chop (corte que tira toda a parte alisada do cabelo) mas temem como o cabelo ficará ao crescer ou se arrependem depois do corte, não assumindo efetivamente o cabelo natural.
Observando e acompanhando esse movimento (há 3 anos deixei de alisar o cabelo), pude chegar a conclusão de que o problema está na base disso tudo: geralmente, para dar certo, tem que vir de dentro para fora, mas, na maioria das vezes, o que ocorre é o contrário. Isso, claro, influencia no modo como cada indivíduo vê a si e ao seu cabelo. Por exemplo, indivíduos de cabelo cacheado, até os tipos 3, tendem a ter menos problemas para assumir o cabelo natural e podem fazê-lo tanto por estética quanto por convicção, pois é um cabelo amplamente aceito. O difícil é quando esse processo é com pessoas de cabelos crespos, quando o assunto de torna mais delicado.
Fotografia: Clara Elisabeth
Meu cabelo é de um dos tipos 4, dos cabelos mais crespos e volumosos, que retêm mais a hidratação e tendem bastante ao frizz. Precisa de bastante cuidado? Sim. Menos bonito que os outros? Não. Mas nem todo mundo pensa assim. Pessoas próximas de mim já passaram pela transição, cortaram o cabelo, mas não assumiram o crespo. Inicialmente foi toda aquela alegria, sensação de libertação e tudo mais, mas depois… depois veio o arrependimento, a decepção e a vontade de ter o cabelo comprido e balançando novamente. Comigo, o assunto é das outras pessoas.
“Mas você vai deixar o cabelo assim mesmo?” “Olha o cabelo de fulana, por que você não deixa igual ao dela?” “Oi, nunca mais te vi! Seu cabelo está bonito, mas se você for lá no salão, tenho um produto ótimo que vai deixar seus cachos mais soltos!”
É difícil para as pessoas entenderem que eu simplesmente acho bonito meu cabelo assim. CRESPO. E bom, sim. Tenho cabelos naturais há pouco tempo, mas isso só tem a ver com a parte que materializei minhas convicções. A parte em que tomei coragem de dizer ‘não’ até às pessoas mais próximas e não ligar para outras opiniões. Mas as ideias já vinham amadurecendo ali há bastante tempo, só faltou um grito de coragem. Faltava. E agora sou um estandarte levantando essa bandeira com orgulho. Não, não foi fácil. Ainda não é. E não será tão cedo.
Posso chegar a conclusão de que o que é tendência é o cabelo cacheado bem volumoso, não o cabelo natural em si. Essa 'vibe naturalista’ é ótima para quem se encaixa em alguns padrões. Para outros… Bem, eles não ligam pra gente.
O cabelo crespo ainda não é visto como bonito, elegante, limpo, fashion, sensual. Fica ali no “exótico” ou “de atitude”.
É possível perceber quando as pessoas querem parar de alisar o cabelo por impulso e por influência dessas mídias quando elas querem que se aproximem ao máximo de determinado tipo. “Será que vão formar cachos?” -algumas amigas minhas perguntavam. Não, isso não é sobre ter o cabelo natural. Além de tudo que já citei, ainda há aqueles eufemismos infames que, acredite ou não, só pioram a situação (esses eufemismos me matam!): “O cabelo dela(e) é 'meio ruinzinho’, mas pelo menos tem um rosto bonito”/ "é negra(o), mas tem traços finos" ou mesmo quando o assunto não é cabelo, como “é gordinha(o), mas é bonita(o) de rosto”/ “nem é tão negro(a) assim”. Reforçando: só piora. Só para deixar mais claro, estou falando aqui sobre olhares tortos, discriminação, desrespeito. Estou falando aqui sobre RACISMO. E estou pegando leve.
Esse não é um texto sobre cabelos.
Muitas vezes vejo discussões em diversos meios sobre a aceitação da beleza negra. Vejo que isso vem se tornando, de algumas partes, uma imposição também. Mas isso não leva a lugar algum. Não é uma simples argumentação e pronto. É questão de identidade. E ninguém constrói sua identidade de uma hora para outra. Imagine então, para desconstruir e assumir uma nova imagem. (Só para refletir: Muitas dessas pessoas que querem impor o cabelo natural são as mesmas que te ensinam sem hesitação truques para afinar o nariz com maquiagem. Só um detalhe.)
Machuca ter que dizer que a dificuldade não é deixar de alisar o cabelo e pronto. A dificuldade, ainda hoje, ainda no Brasil, é assumir o cabelo crespo. A dificuldade é se assumir como negro e entender que é uma questão muito além da cor da pele.
Oi, pessoas, tudo bem?
Morro de São Paulo é uma vila de uma ilha da Bahia chamada Tinharé, localizada na Costa do Dendê e é um dos principais destinos turísticos baianos.
Fica próximo ao município de Valença, que é o melhor caminho por terra saindo da capital baiana (Salvador). De Valença sai grande parte das embarcações para o Morro de São Paulo e adjacências, já que só se é possível chegar ao local por transportes marítimos ou aéreos.
Como lá não circulam automóveis - o que garante um clima de tranquilidade e "refúgio" ao Morro de São Paulo -, é muito comum se ver "táxis" para as bagagens, que são carregadores que, por um preço a ser negociado, levam suas malas em um carrinho de mão.
No mais, as paisagens são belíssimas, as praias são ótimas e o fato de não se poder passear de automóvel faz com que você aproveite bem mais o caminho até chegar ao seu destino. Vale a pena explorar as praias mais adiante e não ficar somente nas primeiras - embora a caminhada possa cansar um pouco, mas vale a pena.
Uma opção é ir de trator às praias mais distantes, como a de Garapuá. Há muito o que se fazer por lá. Duas dicas para quem quer fazer algo diferente: tem a famosa tirolesa, que sai do lado do morro em direção à praia; e tem mergulho e flutuação também.
A noite no Morro é bastante movimentada - pelo menos em altas temporadas e feriados prolongados -, as lojas, bares e restaurantes permanecem abertas e os artesãos se aprontam para vender suas artes. Além disso, há muitas boates e festas diversas, ou seja, a noite é uma criança.
A maior dificuldade é mesmo ter que voltar pra realidade. E pra casa. (rs)
Esse é um teaser da minha viagem ao Morro de São Paulo, em outubro de 2015.
Morro de São Paulo é uma vila de uma ilha da Bahia chamada Tinharé, localizada na Costa do Dendê e é um dos principais destinos turísticos baianos.
Fica próximo ao município de Valença, que é o melhor caminho por terra saindo da capital baiana (Salvador). De Valença sai grande parte das embarcações para o Morro de São Paulo e adjacências, já que só se é possível chegar ao local por transportes marítimos ou aéreos.
Como lá não circulam automóveis - o que garante um clima de tranquilidade e "refúgio" ao Morro de São Paulo -, é muito comum se ver "táxis" para as bagagens, que são carregadores que, por um preço a ser negociado, levam suas malas em um carrinho de mão.
No mais, as paisagens são belíssimas, as praias são ótimas e o fato de não se poder passear de automóvel faz com que você aproveite bem mais o caminho até chegar ao seu destino. Vale a pena explorar as praias mais adiante e não ficar somente nas primeiras - embora a caminhada possa cansar um pouco, mas vale a pena.
Uma opção é ir de trator às praias mais distantes, como a de Garapuá. Há muito o que se fazer por lá. Duas dicas para quem quer fazer algo diferente: tem a famosa tirolesa, que sai do lado do morro em direção à praia; e tem mergulho e flutuação também.
A noite no Morro é bastante movimentada - pelo menos em altas temporadas e feriados prolongados -, as lojas, bares e restaurantes permanecem abertas e os artesãos se aprontam para vender suas artes. Além disso, há muitas boates e festas diversas, ou seja, a noite é uma criança.
Esse é um teaser da minha viagem ao Morro de São Paulo, em outubro de 2015.
Oi, pessoas. Tudo bem?
Depois desse intervalo imenso, vim aqui dizer que não abandonei esse blog, e, em meio a esse momento tenso que o Brasil está vivendo, vim trazer uma temática de luta, mas também de esperança. Então trouxe um filme que remonta a história de várias mulheres guerreiras, que buscaram romper barreiras em busca de seus objetivos, mesmo indo de encontro aos valores culturais da sua sociedade.
O filme “Mulan: A Rise
of a Warrior” (outros títulos “Mulan: Legendary Warrior”; “Hua Mulan”), é uma produção
chinesa lançada em 2009, dirigida por Jingle Ma e Wi Dong, escrita por Ting
Zang. Retrata a história de Hua Mulan, uma lendária heroína chinesa, cuja
história foi difundida no poema “A Balada de Hua Mulan” (composta durante a
dinastia Tang, no século VII), cuja tradução se apresenta abaixo:
Click, click, e click,
click, click
Junto à porta, Mulan
tece,
Quando, de repente, a
lançadeira cessa
Ouve-se um suspiro cheio
de angústia
Oh, minha filha, quem
está em sua mente?
Oh, minha filha, quem está
em seu coração?
Não há ninguém em minha
mente
Não há ninguém em meu
coração
Mas noite passada li
sobre a batalha
Eram doze pergaminhos
O Khan sorteará os que
irão à guerra
O nome de meu pai está em
todas as contas
Ah, meu pai não tem um
filho crescido
Ah, Mulan não tem um
irmão mais velho
Mas comprarei uma cela e
um cavalo e me unirei ao exército no lugar de meu pai
No mercado do leste ela
compra um corcel
No mercado d’oeste ela
compra uma sela
No mercado do norte ela
compra um longo chicote
No mercado do sul ela
compra uma rédea
Na alvorada ela se
despede da família
No crepúsculo ela se
assenta à beira do Rio Amarelo
Ela não mais ouve seus
pais a chamarem
[...]
Por doze anos lutamos
como camaradas
A Mulan que conhecemos
não era uma mulher graciosa
Dizem que conhecemos uma
lebre segurando-a pelas orelhas
Há sinais para
distinguirmos
Suspenso no ar, o macho
chutará e se debaterá, enquanto que as fêmeas ficarão paradas, com os olhos a
lacrimejar
Mas se ambos estão no
chão a pular em liberdade singela, quem será tão sábio para dizer se a lebre é
ele ou ela?
(Trecho de “A Balada de
Mulan”, poema chinês)
A muitas pessoas, a
história de Hua Mulan já foi apresentada na infância, através de uma famosa
adaptação norte-americana para o cinema, uma animação produzida pela Walt
Disney, lançada em 1998. Mas as semelhanças do filme que será aqui apresentado
e a animação param por aí. Diferentemente da versão da Disney, o filme chinês é
feito por atores, dentre eles, Wei Zhao, Kun Chen, Jaycee Chan, Liu Yuxin, Yu Rongguang
e Jun Hu.
A narrativa se passa no
cenário de guerra, quando a china foi invadida e o imperador estabeleceu que
cada família deveria enviar um homem ao exército para defender a nação. Em uma
dessas famílias, Hua Hu (Yu Rongguang), estava muito adoentado e com idade já
avançada, mas foi convocado para lutar, pois não tinha nenhum filho do sexo
masculino, sendo o único homem da família. Inconformada com essa situação, sua
filha Hua Mulan decide fugir com o uniforme de guerra do pai, indo lutar em seu
lugar, se apresentando ao exército como homem.
No campo de batalha,
Mulan encontra um amigo seu de infância, conhecido como “Tigre” (Jaycee Chan) e
que a reconhece logo a princípio, mas é fiel a ela, mantendo seu segredo
guardado e tenta lhe ajudar sempre que possível a disfarçar seu lado feminino.
Com o passar do tempo, ela, que já tinha certa habilidade em lutas, vai
desenvolvendo sua habilidade e aos poucos, ganhando confiança e a admiração das
pessoas dentro do exército, inclusive de uma pessoa em especial, Wentai (Kun
Chen), que também era considerado um grande guerreiro, com o qual serão
formados fortes laços. Juntos, os dois ascendem em suas posições, tornando-se
generais e comandando as batalhas em defesa da China.
Embora um dos
subtítulos do filme seja, em uma tradução livre, “A Ascensão do Guerreiro”,
essa interfase entre um guerreiro qualquer e um general não é tão explorada no
filme. A progressão de Mulan e de Wentai é representada de forma rápida,
aparentemente apenas para que faça sentido para o espectador. Outra ressalva em
relação ao aspecto temporal do filme é que algo na forma como este se
desenvolve faz com que, ao final, o espectador quase não perceba que se
passaram cerca de 12 anos desde o início da guerra.
Apesar disso, o filme
explora de maneira grandiosa detalhes que, por vezes são deixados de lado em
filmes do gênero, como o sentimento dos guerreiros ali presentes, seja em
relação a sua família, que eles nunca sabem ainda verão novamente, ou seja,
dentro do próprio exército, já que as relações ali presentes acabam indo além
da simples convivência e parceria de lutas. Surge também o sentimento de
irmandade, que pode ser um alento em muitos momentos, mas uma dor imensurável
em outras, afinal, se tratando de guerra, a ocorrência de mortes é uma infeliz
certeza. Mulan, inclusive, sofre bastante com isso durante a guerra, sendo que
muitas vezes não suportava a ideia de perder seus amigos e acabava adotando
estratégias de guerra equivocas, causando um estrago maior do que poderia
imaginar. Ao longo de sua trajetória, ela vai aprendendo a lidar com esse
sentimento e a sentir como um amigo e a agir como um general. Aliás, não só ao
ver amigos morrendo, mas também ao ter que matar seus inimigos. Além da
necessidade de adaptação a essa situação angustiante, outro aspecto é explorado
no enredo: a honra, mostrando uma característica marcante nas histórias
chinesas. Para eles (e Mulan sempre reforçava isso), se a família tivesse que
receber uma notícia de morte, que fosse dentro do campo de batalha. Ao
guerrilhar, eles tinham em mente a sua missão, que era defender a nação, e esta
deveria estar acima de seus sentimentos individuais.
Esses embates
emocionais são muito bem retratados ao longo do enredo, mostrando que esse não
é só mais um filme de ação. O mesmo apresenta cenas de lutas muito bem feitas e
intensas e, com um bom dinamismo, mostra o ambiente árido de uma guerra, as
dificuldades que se enfrenta, a escassez de suprimentos, as batalhas perdidas.
Mas também é dotado de uma sensibilidade admirável (e muito bem dosada), além
de ótimas atuações, que não desmereceram o roteiro muito bem elaborado e só
enriqueceram o filme. Inclusive, de nada adiantaria a qualidade do roteiro se
os atores não transmitissem essa mensagem tão bem. O filme tem um peso emocional
considerável e as atuações permitem que haja uma identificação sentimental por
parte de quem está assistindo.
Uma dos pontos fortes
do filme é o fato de ser um filme chinês sobre a cultura da China, com a grande
vantagem de não ser uma produção ‘hollywoodiana’ com seus traços estilísticos
já desgastados. Do contrário, se afasta de muitos clichês e padrões comuns no
cinema norte-americano com uma qualidade técnica tão digna quanto, mas com a
capacidade de explorar aspectos culturais tão importantes na construção do
enredo.
Embora não se saiba ao
certo se a narrativa presente no poema de Hua Mulan (no qual o filme é baseado)
tem uma inspiração em alguma história real ou não, é verdade que tanto a
história como a personagem serviram (e servem) de inspiração para muitas
pessoas, principalmente garotas, dentre outros motivos, por apresentar uma
heroína forte, inteligente e sensível, com qualidades e defeitos humanos, e com
escolhas que não necessariamente tem seu foco no amor de um homem. Dentro do
campo de batalha, o filme mostra que Mulan cresceu como pessoa e como
guerreira, aprendeu muito com seus colegas de guerra, e ainda contribuiu, não
só com as lutas em si, como também como fonte de motivação e inspiração dentro
do exército e, não por acaso, era tão admirada. E mais um detalhe cativante em
Mulan: diferentemente de muitas heroínas do cinema, ela é protagonista de sua
própria história.
“Mulan: A Rise of a
Warrior” é uma obra marcante e envolvente, uma abordagem madura sobre a
lendária Hua Mulan, e uma produção de tirar o chapéu, que, além do enredo e das
atuações, a trilha sonora, o figurino e a fotografia também são dignos de nota.
Faz valer a pena cada um dos seus 110 minutos.
Oi, gente, tudo bem?
Com o fim de 2015 chegando, vim falar de coisinhas aleatórias que viraram minhas favoritas esse ano. Tentei buscar lá nos arquivos o que me empolgou ao longo de todos esses dias. Dividi em algumas categorias e confesso que não consegui selecionar apenas um favorito para cada uma delas, afinal, um ano é um ano, né? Então vambora:
LIVRO
Começarei com essa parte, já que consegui selecionar apenas um item. Ficou fácil porque, infelizmente, não li muitos livros esse ano. E o favorito foi aquele que comecei, larguei um tempão, peguei de volta e devorei. O livro em questão é "O Símbolo Perdido", de Dan Brown. Eu geralmente demoro bastante lendo livros de Dan Brown, pois acabo gastando bastante tempo pesquisando cada detalhe do enredo (ele é o do tipo de autor que ama usar elementos reais para compor a ficção, então sempre fico na dúvida de onde termina a realidade e começa a ficção, e, na maioria das vezes, acaba sendo uma linha muito tênue), mas O Símbolo Perdido foi o que eu consegui ler de forma mais direta, apesar do meu abandono inicial.
Valeu a pena ter lido, ainda que, a princípio, eu tenha duvidado um pouco de que iria gostar, já que tinha acabado de sair das duas primeiras aventuras de Robert Langdon ("Anjos e Demônios" e "O Código da Vinci") e é notável que a fórmula se repete em todas as histórias - ainda não li "Inferno" - mas ainda assim, o autor consegue prender nossa atenção e nos surpreender. Em O Símbolo Perdido, o final me surpreendeu de uma maneira boa, foi bem diferente do que eu esperava e conseguiu apagar a pontada de decepção com o final de O Código da Vinci (eu sei, todo mundo ama, mas eu ainda preferi Anjos e Demônios) e me fez ter coragem de continuar e ler Inferno.
COMIDA
Beiju (tapioca). Claro, beiju é meu favorito da vida, mas esse ano, acho que não comi nada mais vezes que beiju - exceto pão, mas fazer o quê... Fato é que dá pra comer beiju com tudo: só com manteiga, com doce, com salgado... ♥
E algo que não é exatamente comida, mas que também é alimento é a água. Falando sério, desde que passei a beber mais água, tenho me sentido bem melhor. Tudo funciona melhor no organismo quando se tem a quantidade adequada de água e, embora ainda não esteja na quantidade ideal, sei que chegarei lá. E é melhora pro corpo, pra mente, pra pele, cabelo...
CANÇÃO
Eita. Essa é a parte mais difícil, por que música pra mim é muito amor. Sei que a maioria das músicas que ouço definitivamente não são desse ano, mas separei as canções que eu mais ouvi especialmente em 2015.
Uma delas foi Elevation, do U2, que eu ouço há muito tempo, mas esse ano, simplesmente não saiu da minha cabeça, é daquelas que dá vontade de cantar gritando, parece que sempre é a primeira vez que estou ouvindo.
A outra canção que ouvi praticamente todos os dias desse ano foi "Ela", do Quarteto de Cinco. Além da letra muito boa, a melodia é uma delícia e é contagiante.
Mantra foi primeira canção que ouvi do álbum III, de Maglore, quando o seu videoclipe foi lançado, antes mesmo do lançamento do álbum completo. A letra é linda e tem uma levada que combina perfeitamente com a letra e até o clipe (que dividiu opiniões) me ganhou.
Em clima de despedida, ouvi "O Tempo Pode Virar", de Cascadura mais que o normal esse ano. É uma música que, para mim, significa, acima de tudo, recomeço. E o que esse ano me trouxa foram recomeços, viradas, mudanças de fases, e essa canção fala bem disso. Além de tudo isso, tem a despedida da própria banda, que me fez ouvir essa canção de um modo diferente, bem mais especial dessa vez. Seguindo no álbum Aleluia, "Uma Lenda do Fogo" com certeza está entre as mais ouvidas de 2015.
ÁLBUM
Quando penso em álbum em 2015, não tem jeito, a primeira coisa que vem á mente é o álbum III, do Maglore. Sou apaixonada por esse álbum, acho que a banda está numa fase ótima, com um disco conciso, coeso, com uma sonoridade de certa forma familiar, talvez pelas referências, e ao mesmo tempo, com um frescor gostoso. É o álbum que eu mais gosto do grupo até agora, o que acho muito bom, pois me mostra uma evolução e um amadurecimento no som e nas letras, que me cativaram.
MODA
Oxfords. Preciso dizer que estar arrumadinha e sem salto é divino. Só isso. Obrigada.
SÉRIE
Como só assisti a uma esse ano, é essa: Downton Abbey. Não só por não ter nenhuma outra para citar, mas porque eu simplesmente amo essa série. Devorei as 3 temporadas que estavam disponíveis na Netflix em pouquíssimos dias e fiquei louca quando não consegui ver as outras temporadas. Só agora chegaram novos episódios da 4ª temporada e a 5ª está prevista para Janeiro de 2016.
Não é todo mundo que gosta desse tipo de série, sem muitas doses de comédia ou ação, e que se passa numa propriedade de uma família nobre inglesa, começando seu enredo com a notícia do naufrágio do Titanic. Mas para quem gosta desse estilo de trama, provavelmente vai gostar de Downton. Além de todos os altos e baixos da sociedade daquela época mostrados na série, a fotografia e o figurino são lindíssimos.
FILME
Os meus filmes favoritos desse ano tem como foco duas mulheres incríveis: Mulan e a Imperatriz Furiosa. Diria que não preciso dizer mais nada, mas é sempre bom reforçar.
Assisti a Mad Max no cinema e me deu vontade de ver de novo, ali mesmo. Êta filme maravilhoso! Vale muito a pena assistir colocar a Imperatriz Furiosa na lista de inspirações na vida.
Mulan (o filme, não o desenho), é simplesmente brilhante. Desde pequena sempre tive mulan como referência de heroína e, até então, só conhecia aquela da Disney. Eis que esse ano achei o filme de Mulan, uma produção chinesa sobre uma lenda chinesa - nada mais justo - e valeu cada minuto. É uma visão madura sobre uma história grandiosa que, mesmo com todas as cenas de ação, te faz terminar com um nozinho na garganta e lágrimas nos olhos. Bom demais.
LUGAR
Esse ano tive a felicidade de poder voltar a Morro de São Paulo. Afê Maria! Como eu amo esse lugar. Cada vez me apaixono mais por essa Bahia. Já é a segunda vez que vou ao Morro de SP e já quero voltar - Morro de Saudades! - Só não digo que é meu lugar no mundo, pois meu lugar é o mundo, rs ♥.

EVENTO
Fui no Festival Anual de Cultura Japonesa em Salvador, que homenageia o Bon Odori Japonês, e teve como tema a amizade entre Japão e Brasil, e tive a oportunidade de ver, dentre outras coisas, Takai, os tambores japoneses, e o Olodum, o ícone da percussão baiana, no mesmo palco. Muito amor de uma vez só. Energia maravilhosa!
Esse ano, a banda Cascadura anunciou o encerramento das suas atividades - ou, de um modo que eu não gosto de falar, o fim da banda :( . Desde então, o grupo cumpriu a agenda de shows até o fim do ano, despedindo-se gradativamente. 06 de Dezembro de 2015 foi O Último Concerto do Cascadura, e um show de emoções. Esse dia vai ficar na memória, ou no coração, pra ser mais justa.
HÁBITO
Sem dúvidas, voltar a fazer exercício físico foi uma das metas que mais fiquei feliz de ter cumprido em 2015. Tudo ao meu redor - e dentro de mim - parece ter melhorado, ainda que eu já tenha começado quase no fim do ano. Mas já fez uma diferença enorme. Tenho estado mais disposta, o sono melhorou, liberei as energias acumuladas, o que fez meu stress diminuir bastante, e produzi a bendita da endorfina, que me deixa bem mais animada e até a pele melhora.
Estou tentando comer melhor e, sinceramente, ainda estou longe do ideal, mas comparando com o ano passado, foi um evolução que quero continuar em 2016. Lembro que minha meta inicial foi melhorar meus exames pra poder doar sangue direitinho, mas quero adotar isso pra vida.
Estamos sempre nos desejando saúde, mas o problema é que não vem só na esperança, é algo que temos que buscar todos os dias. É uma meta que precisamos bater pra conseguir alcançar as outras. E a recompensa não tem preço.
........................................
Bem, espero não ter esquecida nada. Espero que o ano tenha sido bom para todxs vocês (dentro do limite do possível para 2015, né...) e que 2016 seja melhor ainda. Desejo do fundo do coração que cada um de vocês esteja sempre melhorando, concluindo objetivos antigos e traçando novos caminhos. Por que a vida é isso: movimento. No instante em que um ano acaba, outro começa e, se isso por si só não muda algo, que sirva de desculpa para que nos movamos a mudar.
Feliz 2016.
E muito Obrigada.
Abraço!
Com o fim de 2015 chegando, vim falar de coisinhas aleatórias que viraram minhas favoritas esse ano. Tentei buscar lá nos arquivos o que me empolgou ao longo de todos esses dias. Dividi em algumas categorias e confesso que não consegui selecionar apenas um favorito para cada uma delas, afinal, um ano é um ano, né? Então vambora:
LIVRO
Começarei com essa parte, já que consegui selecionar apenas um item. Ficou fácil porque, infelizmente, não li muitos livros esse ano. E o favorito foi aquele que comecei, larguei um tempão, peguei de volta e devorei. O livro em questão é "O Símbolo Perdido", de Dan Brown. Eu geralmente demoro bastante lendo livros de Dan Brown, pois acabo gastando bastante tempo pesquisando cada detalhe do enredo (ele é o do tipo de autor que ama usar elementos reais para compor a ficção, então sempre fico na dúvida de onde termina a realidade e começa a ficção, e, na maioria das vezes, acaba sendo uma linha muito tênue), mas O Símbolo Perdido foi o que eu consegui ler de forma mais direta, apesar do meu abandono inicial.
Valeu a pena ter lido, ainda que, a princípio, eu tenha duvidado um pouco de que iria gostar, já que tinha acabado de sair das duas primeiras aventuras de Robert Langdon ("Anjos e Demônios" e "O Código da Vinci") e é notável que a fórmula se repete em todas as histórias - ainda não li "Inferno" - mas ainda assim, o autor consegue prender nossa atenção e nos surpreender. Em O Símbolo Perdido, o final me surpreendeu de uma maneira boa, foi bem diferente do que eu esperava e conseguiu apagar a pontada de decepção com o final de O Código da Vinci (eu sei, todo mundo ama, mas eu ainda preferi Anjos e Demônios) e me fez ter coragem de continuar e ler Inferno.
COMIDA
Beiju (tapioca). Claro, beiju é meu favorito da vida, mas esse ano, acho que não comi nada mais vezes que beiju - exceto pão, mas fazer o quê... Fato é que dá pra comer beiju com tudo: só com manteiga, com doce, com salgado... ♥
E algo que não é exatamente comida, mas que também é alimento é a água. Falando sério, desde que passei a beber mais água, tenho me sentido bem melhor. Tudo funciona melhor no organismo quando se tem a quantidade adequada de água e, embora ainda não esteja na quantidade ideal, sei que chegarei lá. E é melhora pro corpo, pra mente, pra pele, cabelo...
CANÇÃO
Eita. Essa é a parte mais difícil, por que música pra mim é muito amor. Sei que a maioria das músicas que ouço definitivamente não são desse ano, mas separei as canções que eu mais ouvi especialmente em 2015.
Uma delas foi Elevation, do U2, que eu ouço há muito tempo, mas esse ano, simplesmente não saiu da minha cabeça, é daquelas que dá vontade de cantar gritando, parece que sempre é a primeira vez que estou ouvindo.
A outra canção que ouvi praticamente todos os dias desse ano foi "Ela", do Quarteto de Cinco. Além da letra muito boa, a melodia é uma delícia e é contagiante.
Mantra foi primeira canção que ouvi do álbum III, de Maglore, quando o seu videoclipe foi lançado, antes mesmo do lançamento do álbum completo. A letra é linda e tem uma levada que combina perfeitamente com a letra e até o clipe (que dividiu opiniões) me ganhou.
Em clima de despedida, ouvi "O Tempo Pode Virar", de Cascadura mais que o normal esse ano. É uma música que, para mim, significa, acima de tudo, recomeço. E o que esse ano me trouxa foram recomeços, viradas, mudanças de fases, e essa canção fala bem disso. Além de tudo isso, tem a despedida da própria banda, que me fez ouvir essa canção de um modo diferente, bem mais especial dessa vez. Seguindo no álbum Aleluia, "Uma Lenda do Fogo" com certeza está entre as mais ouvidas de 2015.
ÁLBUM
Quando penso em álbum em 2015, não tem jeito, a primeira coisa que vem á mente é o álbum III, do Maglore. Sou apaixonada por esse álbum, acho que a banda está numa fase ótima, com um disco conciso, coeso, com uma sonoridade de certa forma familiar, talvez pelas referências, e ao mesmo tempo, com um frescor gostoso. É o álbum que eu mais gosto do grupo até agora, o que acho muito bom, pois me mostra uma evolução e um amadurecimento no som e nas letras, que me cativaram.
MODA
Oxfords. Preciso dizer que estar arrumadinha e sem salto é divino. Só isso. Obrigada.
SÉRIE
Como só assisti a uma esse ano, é essa: Downton Abbey. Não só por não ter nenhuma outra para citar, mas porque eu simplesmente amo essa série. Devorei as 3 temporadas que estavam disponíveis na Netflix em pouquíssimos dias e fiquei louca quando não consegui ver as outras temporadas. Só agora chegaram novos episódios da 4ª temporada e a 5ª está prevista para Janeiro de 2016.
Não é todo mundo que gosta desse tipo de série, sem muitas doses de comédia ou ação, e que se passa numa propriedade de uma família nobre inglesa, começando seu enredo com a notícia do naufrágio do Titanic. Mas para quem gosta desse estilo de trama, provavelmente vai gostar de Downton. Além de todos os altos e baixos da sociedade daquela época mostrados na série, a fotografia e o figurino são lindíssimos.
FILME
Os meus filmes favoritos desse ano tem como foco duas mulheres incríveis: Mulan e a Imperatriz Furiosa. Diria que não preciso dizer mais nada, mas é sempre bom reforçar.
Assisti a Mad Max no cinema e me deu vontade de ver de novo, ali mesmo. Êta filme maravilhoso! Vale muito a pena assistir colocar a Imperatriz Furiosa na lista de inspirações na vida.
Mulan (o filme, não o desenho), é simplesmente brilhante. Desde pequena sempre tive mulan como referência de heroína e, até então, só conhecia aquela da Disney. Eis que esse ano achei o filme de Mulan, uma produção chinesa sobre uma lenda chinesa - nada mais justo - e valeu cada minuto. É uma visão madura sobre uma história grandiosa que, mesmo com todas as cenas de ação, te faz terminar com um nozinho na garganta e lágrimas nos olhos. Bom demais.
LUGAR
Esse ano tive a felicidade de poder voltar a Morro de São Paulo. Afê Maria! Como eu amo esse lugar. Cada vez me apaixono mais por essa Bahia. Já é a segunda vez que vou ao Morro de SP e já quero voltar - Morro de Saudades! - Só não digo que é meu lugar no mundo, pois meu lugar é o mundo, rs ♥.

EVENTO
Fui no Festival Anual de Cultura Japonesa em Salvador, que homenageia o Bon Odori Japonês, e teve como tema a amizade entre Japão e Brasil, e tive a oportunidade de ver, dentre outras coisas, Takai, os tambores japoneses, e o Olodum, o ícone da percussão baiana, no mesmo palco. Muito amor de uma vez só. Energia maravilhosa!
Esse ano, a banda Cascadura anunciou o encerramento das suas atividades - ou, de um modo que eu não gosto de falar, o fim da banda :( . Desde então, o grupo cumpriu a agenda de shows até o fim do ano, despedindo-se gradativamente. 06 de Dezembro de 2015 foi O Último Concerto do Cascadura, e um show de emoções. Esse dia vai ficar na memória, ou no coração, pra ser mais justa.
HÁBITO
Sem dúvidas, voltar a fazer exercício físico foi uma das metas que mais fiquei feliz de ter cumprido em 2015. Tudo ao meu redor - e dentro de mim - parece ter melhorado, ainda que eu já tenha começado quase no fim do ano. Mas já fez uma diferença enorme. Tenho estado mais disposta, o sono melhorou, liberei as energias acumuladas, o que fez meu stress diminuir bastante, e produzi a bendita da endorfina, que me deixa bem mais animada e até a pele melhora.
Estou tentando comer melhor e, sinceramente, ainda estou longe do ideal, mas comparando com o ano passado, foi um evolução que quero continuar em 2016. Lembro que minha meta inicial foi melhorar meus exames pra poder doar sangue direitinho, mas quero adotar isso pra vida.
Estamos sempre nos desejando saúde, mas o problema é que não vem só na esperança, é algo que temos que buscar todos os dias. É uma meta que precisamos bater pra conseguir alcançar as outras. E a recompensa não tem preço.
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Bem, espero não ter esquecida nada. Espero que o ano tenha sido bom para todxs vocês (dentro do limite do possível para 2015, né...) e que 2016 seja melhor ainda. Desejo do fundo do coração que cada um de vocês esteja sempre melhorando, concluindo objetivos antigos e traçando novos caminhos. Por que a vida é isso: movimento. No instante em que um ano acaba, outro começa e, se isso por si só não muda algo, que sirva de desculpa para que nos movamos a mudar.
Feliz 2016.
E muito Obrigada.
Abraço!
“Sociedade, tenha piedade de mim, espero que você não fique furiosa se eu discordar”.
(Jerry Hannan, em "Society")
O Brasil, assim como os demais países
capitalistas, tem uma sociedade que tece regras e se submete às mesmas.
Evidentemente, toda regra tem sua exceção e há diversas pessoas que tentam aos
poucos fugir a tais regras, mas são condenadas e julgadas a todo o tempo.
Claro que a superestrutura social a
que estamos submetidos possui diversos meios de exercer influência ideológica
(de forma explícita ou nem tanto) aos indivíduos. Os padrões sociais de beleza
são um exemplo desse controle: as pessoas são classificadas e julgadas de
acordo com sua aparência física, pelas roupas que vestem e pelo cabelo que
portam.
Hoje, em pleno século XXI, ainda não
é de muito bom tom uma mulher andar por aí com cabelos curtos ou um homem com
cabelos compridos. Além do mais, cabelo muito volumoso, “armado”, “duro”, é
coisa que pode ser mudada: por que andar com “um cabelo desses”, se é possível
alisar?
Há algumas semanas, fiz o Big Chop.
Para quem não sabe, esse é um processo pelo qual a pessoa que tem cabelos
alisados (e que, na maioria das vezes, já deixou de alisar há algum tempo),
retira a porção capilar que contém a química de alisamento, ficando apenas com
a parte natural (o grande corte). A decisão de cortar meus cabelos já estava
bastante amadurecida em minha mente, inclusive, já vinha pensando nisso há
alguns anos, mas era uma ideia que surgia e logo ia embora. E eu voltava a
alisar. No ano passado, não sei exatamente porquê, tal ideia voltou à minha
mente com muita força, e comecei a pesquisar sobre o assunto. Foi então que vi
que não era a única querendo voltar às minhas origens.
Por falar em minhas origens, meu
cabelo é crespo, daqueles que se estiver solto, é visto antes de mim (rs). Meus
pais, assim como maior parte da família, também têm cabelo crespo. Desde
pequena, eu sempre via minhas colegas da escola com os cabelos (lisos a
ondulados) soltos e facilmente penteados, sempre lindos e brilhantes, e eu
sempre os considerava melhores que o meu, mas isso só foi me incomodar de
verdade, depois de um certo tempo. Mais ou menos na primeira ou segunda série,
percebi que eu era a única que ainda usava uns penteados infantis, cheio de
enfeites vermelhos no cabelo (para combinar com a farda) e que não penteava os
cabelos sozinha.
"Meu cabelo é ruim, se eu tivesse cabelo liso, tudo seria diferente, eu
seria mais bonita e teria mais amigas, ninguém iria rir de mim e que seria mais
feliz. É tudo culpa do meu cabelo."
Era assim que eu pensava. Minha mãe,
quando eu tinha entre nove e dez anos, se não me engano, me deixou alisar os
cabelos. Fiquei feliz, balançando a cabeça feito boba na frente do espelho. Ele
estava solto e não estava armado, parecia milagre! Depois de uns dias, ele
ficou ressecado e sem forma. mesmo molhado, com creme e penteado, não formava
cachos, uma ondinha sequer… Fiquei desapontada, mas me disseram que com o tempo
e com muita hidratação, meu cabelo ficaria lindo, que tinha ainda que “se
acostumar” com a química, ainda precisava de tempo… Ao longo dos anos, meu
cabelo passou por várias fases, fui aprendendo a lidar com ele e conhecendo as
dificuldades que enfrentam as pessoas com cabelos quimicamente tratados.
Sempre fui uma pessoa que transpira
bastante e, quando eu dava escova nas madeixas, rapinho passava o efeito, e eu
tive que me acostumar com isso. O processo de alisamento também demorava um bom
tempo (contando o tempo que eu tinha que esperar no salão - que estava sempre
cheio aos sábados). Era um suplício, eu sempre detestei salão de beleza (mesmo
pra fazer as unhas e essas coisas, detesto ficar lá, esperando ou fazendo as
coisas ao som da TV ligada na Globo e da conversas das outras clientes, mas
enfim).
Minha dor na consciência veio
pouquíssimos dias depois do primeiro alisamento, quando percebi que nunca mais
teria meus cachinhos de volta e ainda teria que passar aquele negócio no cabelo
a cada três meses.
O tempo passou e cá estou eu, de
cabelos curtos (joãozinho), pós BC, e me descobrindo. Não foi uma decisão
repentina e nem pressão de amiga nenhuma. Muito pelo contrário. Não tive muito
apoio para isso, apenas de umas três amigas com as quais comentei e que estavam
pensando também sobre o assunto. Depois de quatro meses de transição, meu
cabelo estava muito quebradiço e minha mãe me propôs o corte (mesmo tentando me
convencer a relaxar depois, com outra química, seria um ‘bigudinho’, na
verdade). Fiquei feliz por ela ter apoiado e pus um fim nessa história. Tirando
poucos casos, muitas pessoas comentaram positivamente e me apoiaram nessa
mudança, para a minha surpresa. Pelo menos até hoje (20 dias depois) ainda não
passei por nenhuma fase de autonegação ou coisa parecida, continuo me adorando
no espelho (risos).
Mas o que quero falar é dos
comentários. Primeiro:
“POR QUE VOCÊ FEZ ISSO, MENINA?”
-Por que eu quis.
“MENINA, VOCÊ CORTOU O CABELO! FICOU
ATÉ LEGAL… TÁ NA MODA AGORA NÉ?”
-Não sei se está na moda, não cortei
por causa disso. Cortei porque entendi que não sou obrigada a seguir certo
caminho porque as pessoas querem e acham bonito. Depois que me aceitei do jeito
que sou, crespa, afrodescendente, negra de pele clara, não busco mais
desesperadamente a aceitação das pessoas (em vários aspectos, aliás). Cortei
por uma busca à minha própria identidade. Cortei porque, sim, eu acho lindo o
cabelo crespo e cheio. Sim, eu acho o cabelo liso, sem ondas, sem nada, normal
e comum (culpa de quem impôs que era bonito e todo mundo deveria alisar também,
aí já viu).
“VOCÊ NÃO FICOU COM MEDO NÃO?”
-Não. Como eu disse, a ideia estava
amadurecida em minha mente, eu havia pesquisado muito sobre o assunto e estava
decidida. No salão estava tocando Aerosmith, Pearl Jam e Queen, eu não poderia
estar mais à vontade.
“MAS VOCÊ AGORA VAI TER QUE USAR
MAQUIAGEM, ARGOLA GRANDONA, ESSAS COISAS, NÉ?’
-"Ter que”, não. Não sou
obrigada, não é uma necessidade. Sempre ando assim, de cara lavada, mesmo
depois do BC. De vez em quando passo delineador, e quando dá na telha, passo
maquiagem. Quando eu estou a fim. Isso independe da quantidade de cabelo que eu
tenha. Não vou libertar meu cabelo e esconder meu rosto por trás da maquiagem.
O mesmo vale para acessórios.
Além dos comentários que ouvi
diretamente, têm os clichês que as pessoas insistem em sustentar. Por favor, a
quantidade de cabelo que a pessoa tem NÃO indica a orientação sexual dela. E a
textura do cabelo que uma pessoa exibe NÃO é motivo ou justificativa para
qualquer julgamento preconceituoso ou para qualquer ato discriminatório.
(meu antes e depois)
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¹Esse texto foi originalmente escrito em abril de 2014, editado e atualizado em dezembro de 2015.










